O Sistema de Análise e Monitoramento de Gestão (SAMGe), desenvolvido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com apoio do WWF-Brasil, acaba de ser selecionado como um dos dez finalistas do 21º Concurso Inovação no Setor Público. O prêmio é promovido pela Escola Nacional de Administração Pública (Enap), em parceria com o Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão. A seleção contou com a participação de 160 concorrentes de todos os estados do Brasil. Realizado anualmente, desde 1996, o concurso objetiva incentivar a implementação de iniciativas inovadoras, em organizações do governo federal e estadual/distrital, que contribuam para a melhoria dos serviços públicos; e disseminar soluções inovadoras que sirvam de inspiração ou referência para outras iniciativas e colaborem para o avanço da capacidade de governo. O SAMGe é um sistema, de ciclo anual, que avalia e monitora a gestão de unidades de conservação (UCs) por meio da análise de elementos territoriais – o que se quer manter, as relações da sociedade com esses elementos e as ações dos órgãos gestores. Tudo isso é feito por meio de um painel de gestão que permite o preenchimento e a visualização de dados, gerando resultados que podem auxiliar outros processos, como plano de manejo e compensação ambiental. Para a coordenadora do Programa de Ciências do WWF-Brasil, Mariana Napolitano, o grande valor do SAMGe é ser uma ferramenta desenvolvida com a participação de gestores de UCs para tentar resolver as carências de informações necessárias para o planejamento da unidade. “O sistema busca conectar os objetivos das UCs às atividades no campo e insumos existentes, permitindo ao gestor mapear as prioridades de ação que de fato irão contribuir para que a UC realize todo o seu potencial. Temos muito orgulho em ter participado e apoiado o desenvolvimento do SAMGe e esperamos que essa ferramenta seja cada vez mais internalizada nas práticas do ICMBio e dos órgãos estaduais”, afirma. O SAMGe vem complementar os dados levantados por outra ferramenta, o Rappam – Método para a Avaliação Rápida e Priorização da Gestão de Unidades de Conservação, desenvolvido pelo WWF e aplicado a cada cinco anos. O método permite aos tomadores de decisão e formuladores de políticas para as unidades de conservação identificar as maiores tendências e aspectos que devem ser considerados para alcançar uma melhor efetividade de gestão em um sistema ou grupo de áreas protegidas. A partir de uma avaliação anual, o SAMGe, por sua vez, proporcionará informações mais frequentes das UCs. “Esse método visa fortalecer e complementar alguns aspectos que não são abordados pelo Rappam, como por exemplo, o mapeamento dos diferentes usos que ocorrem nas UCs”, explica Mariana. Em 2017, o Rappam completou 12 anos de aplicação nas UCs federais do Brasil, um esforço único no mundo. É o método mais aplicado no planeta, tendo sido implementado em cerca de 40 países e mais de mil áreas protegidas na Europa, Ásia, África, América Latina e Caribe. No Brasil, desde 2004, a ferramenta já foi aplicada em mais de 450 UCs da Amazônia e do Cerrado.*Com informações do ICMBio