Um grupo de 9 pescadores dos municípios de Feijó e Tarauacá, no Acre, participou, na última semana, de uma oportunidade única de aprendizado: eles embaraçaram para o município de Tapauá, no estado do Amazonas, para participar de um intercâmbio com os manejadores indígenas da etnia Paumari. A atividade fez parte do projeto Pesca Sustentável, uma parceria do WWF-Brasil e Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).Ao todo, 26 pescadores do Acre e do Amazonas participaram da experiência, que durou 144 horas, em cinco dias de atividade. Representantes de órgãos do governo como Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Fundação Nacional do Índio (Funai) também estiverem presentes. Durante a viagem os manejadores, técnicos e tripulação puderam trocar informações importantes e aprender com experiências locais de pessoas e instituições de forma a trazer melhorias para o manejo do pirarucu no estado. “Esse resultado foi uma integração entre pessoas comprometidas com o manejo, com a conservação dos recursos naturais e com o desenvolvimento harmônico dos povos da floresta, com o único objetivo de se desenvolver enquanto ser humano e contribuir com a conservação do meio ambiente”, explica Moacyr Silva, gestor do projeto Pesca Sustentável. Um dos objetivos da atividade foi conhecer o manejo de pesca realizado pelo povo Paumari, entre conhecimentos técnicos, habilidades na pesca, técnicas de limpeza e conservação do pescado e aspectos da organização e motivação comunitária. Com um trabalho bem sucedido no manejo do pirarucu, os indígenas possuem um trabalho de referência no norte do país. Os manejadores do Acre avaliaram de forma positiva o intercâmbio. “Percebemos a união, o comprometimento e a alegria com que os Paumari realizam o trabalho. Além da técnica, sentimos a organização dos manejadores e moradores das aldeias envolvidas no manejo. Não é um processo fácil. Demanda tempo e trabalho construir uma conscientização sobre a importância do trabalho e ter respeito pelas regras definidas no manejo”, avalia José Alfredo, pescador do Acre. Etnia PaumariA etnia Paumari foi escolhida para participar do intercâmbio por apresentar projeto de referência no manejo do pirarucu. Para se ter ideia, quando o trabalho iniciou, em 2012, apenas quatro manejadores atuavam nos 13 lagos do território, que possuíam em média 268 pirarucus adultos. Atualmente, após a implantação da atividade, o estoque do manejo conta com cerca de oito mil peixes e 85 indígenas envolvidos. Localizada do município de Tapauá, no estado do Amazonas, a população de cerca de 150 indígenas vive em oito aldeias, distribuídas em três terras indígenas (TI): a TI Lago Manissuã, a TI Lago Paricá e a TI Cuniua. “Nos chamou a atenção a forma como a comunidade interage. Mulheres e jovens trabalhando com alegria e as crianças muito presentes. Vimos que os Paumari não priorizam o lado econômico no processo. Eles entenderam que podem ser a solução para o problema causado pela diminuição dos peixes e a ameaça à segurança alimentar”, explica Julio Silva, consultor do projeto. A organização dos Paumari impressionou os participantes. De forma a apoiar a vigilância dos lagos, eles distribuíram bases flutuantes pelos lagos, chamados de PMR, equipados com geradores, rádios amadores, computadores, impressoras, GPS, câmaras fotográficas e filmadoras. Além disso, eles se alternam em turnos de uma semana entre três grupos definidos para cada base, ficando nos flutuantes com suas famílias. Cada base tem seu coordenador e as equipes são das aldeias próximas, cobrindo uma área que vai até o próximo flutuante. Pesca SustentávelCom duração de três anos, o Projeto Pesca Sustentável, lançado em abril de 2014, tem o objetivo de capacitar pescadores para o desenvolvimento de sistemas de manejo sustentável do pirarucu, e de outras espécies de importância econômica, nos municípios de Manoel Urbano, Feijó e Tarauacá, no Acre. Além disso, o projeto pretende fomentar ações estruturantes para o fortalecimento da cadeia produtiva da pesca no Estado, assim como apoiar ações de certificação ambiental e pagamentos por serviços ecológicos.Por meio de estratégias de formação técnica e pesquisa científica, o Pesca Sustentável pretende promover o aprimoramento de políticas e a implementação de medidas que permitam valorizar os ecossistemas aquáticos e seus recursos pesqueiros.