Por Taís MeirelesAs pescarias da América do Sul, entre elas as brasileiras, são um importante elemento da cadeia mundial de produção de pescados. Entretanto, alguns dos estoques pesqueiros se encontram sobrecarregados pela prática de pescarias irresponsáveis.A sobrepesca desestabiliza a cadeia alimentar marinha que sustenta toda a vida no oceano, por isso é imprescindível contar com pescarias recuperadas e resilientes, embasadas em práticas sustentáveis. Protegendo os peixes, protegemos outras espécies e garantimos um meio ambiente marinho saudável.Para isso, precisamos adotar melhores práticas de mercado e de consumo de pescados. Se fizermos juntos, podemos evitar uma eventual crise dos recursos pesqueiros da região.Junto com Fundação Vida Silvestre Argentina, WWF-Chile, WWF-Equador e WWF-Peru, o WWF-Brasil lança, neste sábado (7), a campanha Consumo Consciente, por meio de um almoço responsável de pescados e conteúdos digitais.O evento será realizado simultaneamente no restaurante orgânico Le Manjue, em São Paulo (SP), e na Pasaje Abtao, Cerro Concepción, em Valparaíso – Chile. A ideia é sensibilizar as pessoas a respeito da importância de consumir localmente, escolher pescarias menos impactantes e espécies menos ameaçadas.Para isso, o WWF-Brasil gravou um vídeo especial com o chef do Le Manjue, Renato Caleffi. Como ser um consumidor consciente?Ser um consumidor mais consciente significa conhecer de onde vem o peixe que está sendo consumindo, saber se ele está ameaçado ou não, se a pesca de onde ele vem impacta outros animais ou não. Significa também valorizar pescadores locais e respeitar os períodos de defeso e tamanhos mínimos de captura e consumo, além de dar preferência para peixes que contenham selos de certificação sustentável. No Brasil, a maior parte das espécies de pescados marinhos sofre com a sobrepesca, por isso, incentivamos o consumo de artes de pesca tradicionais e menos agressivas ao meio ambiente, como o Cerco Flutuante. Apesar de ser uma pescaria multiespecífica de baixa seletividade, o Cerco Flutuante pode ser considerado uma pescaria responsável. A rede do cerco é fixada no fundo do mar e posicionada perpendicularmente, direcionando os peixes para uma área onde eles ficam retidos ainda vivos, funciona como uma armadilha. Assim, os peixes capturados que não são interessantes para venda, seja por estarem ameaçados, serem menores do que o tamanho mínimo permitido ou por não terem valor comercial, podem ser devolvidos ao ambiente sem sofrerem danos. O Cerco também permite devolver ao ambiente outras espécies que acabam se prendendo na armadilha, como tartarugas marinhas. O WWF-Brasil vai iniciar em breve um Projeto de Melhoramento Pesqueiro (FIP) com os cercos flutuantes situados na Área de Proteção Ambiental Marinha do Litoral Norte de São Paulo. Além de garantir que a pesca seja realizada de forma responsável, o projeto terá como objetivo avançar com a certificação do Carapau (Caranx crysus), que pode agregar valor ao produto e diminuir a vulnerabilidade econômica e social das famílias envolvidas com essa pescaria. O que é a Aliança do Cone Sul?Criada em 2012 pela rede WWF para proteger o meio ambiente marinho da região, a Aliança do Cone Sul (ACS) atua nos Oceanos Pacífico Sul-Oriental, o Oceano Atlântico Sul-Ocidental e o Oceano Austral.Hoje conta com 5 países sul americanos: Argentina, Brasil, Chile, Equador e Peru. Juntos, implementamos práticas sustentáveis e responsáveis, em parceria com governos, mercados, atores financeiros e consumidores da região.Saiba mais sobre a Aliança do Cone Sul