A formação foi organizada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em parceria com a Universidade de Brasília (UnB). Aberto também a outros setores da comunidade, como a área de assistência social e parceiros do órgão, o curso trouxe uma maior aproximação entre o conceito de Unidade de Conservação (UC) e os atores que nela vivem e se beneficiam. As primeiras edições desse curso começaram no estado do Amapá em 2009, também com a colaboração do WWF. “Sentimos a necessidade de uma formação mais direcionada para as Unidades de Conservação, porque na Amazônia ainda existe o embate de que as UCs da natureza impedem o desenvolvimento local”, avalia Cristiane Menezes Russo, professora da UnB, do Núcleo de Educação Científica do Instituto de Ciências Biológicas. Segundo Cristiane, o relacionamento do ICMBio e das equipes gestoras com a comunidade lá mudou da água para o vinho. E houve também o efeito de maior procura da instituição e o adensamento das discussões dos conselhos, porque alguns conselheiros também eram professores. Eles voltaram para os conselhos mais preparados sobre gestão ambiental pública e sobre como isso pode fazer parte do cotidiano da comunidade e da escola. Depois houve outros cursos no Pará e no Jalapão, em Tocantins. Ainda de acordo com Cristiane, o potencial educativo das UCs é imenso. “Há um movimento mundial de retomada dos espaços ambientais como espaços educativos e de lazer. Durante muito tempo se pensou que só se pudesse ensinar na escola e que os parques eram só para lazer. Hoje não, o aluno pode ter formação e lazer ao mesmo tempo em um espaço que são os parques nacionais como vocação primordial”. Com aulas de teatro, facilitação gráfica e muitas dinâmicas de grupo, a formação incluiu temas como o uso do território e pertencimento, a história do arquipélago contada por seus próprios protagonistas, as perpectivas futuras e formas de educar “fora da caixinha”. Houve também uma roda de conversa com as ONGs ambientais atuantes na ilha. O WWF-Brasil participou juntamente com o Projeto Tamar e o Projeto Golfinho Rotador. Muitas dúvidas e também muitas considerações foram feitas durante os ricos debates. “Na verdade, o curso foi uma grande experiência de vivências em áreas de conservação, de facilitadores que já participaram de processos de várias maneiras e também têm a a sensibilidade do que vivemos aqui em Noronha”, apontou Antônio Carlos do Nascimento, jovem de 23 anos e atual presidente da Associação Popular Noronhense. Os facilitadores realizaram uma visita prévia à ilha para modular o curso e adaptá-lo à realidade local. “Essa experiência está sendo única, temos um público altamente qualificado, de professores com pós-graduação e conscientes do seu papel na escola e ansiosos por entender o que é a gestão ambiental pública, pelo fato de viverem isso no seu cotidiano, porque, afinal, eles moram dentro de uma Área de Proteção Ambiental (APA), avalia Cristiane. “Eu vim aqui procurando motivação e dentro dessa motivação buscar o caminho pra facilitar a sensibilização. Eu saio daqui com muito otimismo. Acho que é um processo de construção que vai dar muito certo”, diz Silvia de Moraes Nobre, assistente social e condutora de ecoturismo. A opção metodológica escolhida para Fernando de Noronha foi direcionada para a criação de um produto ao final do curso e que esse produto possa ser apresentado para a comunidade daqui a alguns meses. “São projetos criados por eles, pensado por eles, para eles. É isso que a gente quer, que entendam que as UCs são deles, públicas e espaços educativos que podem promover a melhoria da qualidade de vida em Noronha”, finaliza Cristiane.