A arquiteta Daniele Guardini vai ficar com uma cicatriz na perna e terá de tomar quatro doses de vacina. Brasileira é atacada por guaxinim em Miami e vídeo viraliza nas redes
Uma brasileira de 44 anos viralizou nas redes depois de ter sido atacada por um guaxinim na região metropolitana de Miami, nos Estados Unidos. A arquiteta e designer Daniele Guardini filmou e publicou no Instagram uma série de vídeos que mostram o animal, o momento do ataque e a ida ao hospital.
Daniele contou ao G1 que chegava a um restaurante para comemorar o aniversário de 20 anos do filho Matheus. Do lado de fora, ela avistou o guaxinim, animal pouco conhecido no Brasil.
“Ele estava em uma moita do lado de fora, acho que para procurar bichinhos”, contou a brasileira.
Guaxinim do lado de fora de restaurante em Miami
Daniele Guardini/Reprodução/Instagram
O marido e os filhos da arquiteta, então, entraram no restaurante. Ela, ainda do lado de fora, foi postar o vídeo do primeiro guaxinim quando outro bicho da mesma espécie apareceu próximo à porta do restaurante.
“Ele [o animal] foi atrás de um vaso e eu peguei o celular para filmá-lo passando de novo. Aí, ele virou na minha direção, correu, e pulou na minha perna”, relatou Daniele.
A brasileira nega que tenha tentado se aproximar do animal antes do ataque. Segundo ela, o guaxinim estava a cerca de três metros antes de avançar.
“Eu não fui tentar filmar de perto ou tentar dar uma comidinha. Eu estava parada e ele veio na minha direção”, disse.
Guaxinim no momento do ataque à brasileira em Miami
Daniele Guardini/Reprodução/Instagram
O resgate
Depois que o bicho avançou na perna de Daniele, ela começou a bater nele com a bolsa e gritar alto. Porém, como todos estavam dentro do restaurante, demorou cerca de 40 segundos até que alguém aparecesse para resgatá-la.
“Parecia uma eternidade. Eu torci o pé e caí no chão, e o guaxinim grudou em mim em uma mordida só”, contou Daniele.
O animal só fugiu quando uma pessoa saiu de dentro do restaurante, uma churrascaria brasileira na cidade de Aventura, ao norte do centro de Miami. Ainda lá, a arquiteta recebeu os primeiros socorros antes de ir ao hospital — a ida à unidade de saúde também foi gravada e publicada no Instagram.
Daniele conta que precisou tomar vacinas antitetânica, antirrábica e outras injeções para aumentar a imunidade na região da perna. “Doeu mais do que a mordida”, afirmou. Para a prevenção da raiva, a brasileira teve de tomar outra dose nesta sexta-feira (27) e ainda precisará de outras duas para completar a vacinação.
Perna da brasileira ficou ferida após o ataque de um guaxinim
Daniele Guardini/Reprodução/Instagram
A arquiteta passa bem, mas conviverá com uma cicatriz na perna durante toda a vida. Ainda assim, Daniele não perdeu o bom humor, conforme disse na mesma postagem no Instagram:
“Uma mordida de guaxinim na perna, uma cicatriz dessas, não é todo mundo que tem, né?”
Os guaxinins fugiram depois do ataque e não se feriram. Segundo veterinários que atendem os cães de Daniele — ela tem uma cadela da raça Jack Russell Terrier que acabou de dar à luz quatro filhotes —, o certo seria levar o animal à unidade de saúde para verificar se eles estão ou não contaminados com o vírus da raiva.
Depois do susto, o aprendizado
Daniele diz que deixou os vídeos viralizarem nas redes para, segundo ela, conscientizar as pessoas, “principalmente as crianças”. “Eu nunca achei que ele pudesse atacar. Pensava que era só não mexer com ele que ele não mexeria de volta”, alegou.
“Por isso, é bem importante que todo mundo saiba que é para nunca ficar parado filmando o bichinho. Ele pode atacar”, afirmou Daniele.
Guaxinim
naeimasgary/Creative Commons
Apesar da aparência “fofa”, guaxinins são considerados pragas urbanas nos Estados Unidos justamente porque podem carregar doenças. Inclusive, o fato de o animal — que tem hábitos noturnos — ter sido encontrado à luz do dia indica alguma anomalia.
O guaxinim que a atacou era, muito provavelmente, da espécie Procyon lotor, comum na América do Norte e inexistente no Brasil. Por aqui, habita a espécie Procyon cancrivorus, conhecida como mão pelada. Não há registro de ataques deste parente brasileiro do guaxinim norte-americano.
Há três anos nos Estados Unidos, Daniele, natural de Campinas (SP), garantiu ao G1 afirmou que nunca teve problemas com animais. “Eu cresci no meio de bicho”, disse.
Segundo a arquiteta, os pais dela eram credenciados pelo Ibama para cuidar de bichos retidos em operações de apreensão em um sítio. “E meus pais tinham criação de cachorro, cavalo, boi, cabra”, enumerou.