Por Marcos Piovesan e Jorge Eduardo DantasCharcos, pântanos, várzeas e mangues não são tão populares como as florestas tropicais, mas são tão importantes quanto elas para a vida em nosso planeta. “Áreas úmidas”, como elas são chamadas, são zonas de fronteira entre ambientes aquáticos e terrestres. São regiões que possuem o solo encoberto por água periodicamente ou durante todo o ano, incluindo áreas de água marítima com menos de seis metros de profundidade. Turfas, igapós e buritizais são outros exemplos desses ecossistemas. Segundo o Relatório Ramsar 2018, as áreas úmidas oferecem lar para 40% das espécies de todo o mundo e fornecem água e alimento para mais de 1 bilhão de pessoas. Além disso, chegam a absorver e estocar 50 vezes mais carbono da atmosfera do que as florestas tropicais. Por esse motivo, no Dia Mundial das Áreas Úmidas, celebrado hoje, 2 de fevereiro, mais de 1.000 eventos estão sendo realizados em todo o mundo como palestras, ações de limpeza, educação ambiental, visitas a campo guiadas, lançamento de livros, festivais e concursos culturais. Mais informações sobre estas atividades podem ser visualizadas no site da Convenção sobre Áreas Úmidas, denominada Convenção de Ramsar – um tratado intergovernamental que desenvolve ações para a conservação e uso racional das áreas úmidas e seus recursos. Leia mais: “Áreas úmidas ajudam a proteger contra secas e cheias”Vídeo:”Áreas Úmidas – Descubra porque não podemos viver sem elas” Clima Neste ano a campanha da Convenção Ramsar chama a atenção para o fato de as áreas úmidas serem importantes aliadas para o enfrentamento das mudanças climáticas. Por serem reservatórios de água, elas amenizam secas e o aumento das temperaturas. Mangues e corais são barreiras naturais contra ressacas. Pântanos e charcos são como esponjas, que absorvem as águas das chuvas e controlam enchentes. O Brasil possui a maior área alagável continental do mundo, o Pantanal. Este bioma está presente em 2 estados brasileiros e em mais dois países, Bolívia e Paraguai. Cerca de 1,2 milhões de pessoas dependem do Pantanal para sobreviver. Seja pela pesca, pecuária, turismo, agricultura e serviços em geral. Esta área, que correspondente ao tamanho da Bélgica, Suíça, Holanda e Portugal juntos, é importantíssima para aliviar o aquecimento global. Regime das águasCerca de 30% do território da Amazônia é ocupado por áreas úmidas – o equivalente a mais de 2 milhões de quilômetros quadrados. Hoje, essas áreas são extremamente ameaçadas pelas mudanças no uso do solo e pelas mudanças climáticas. Segundo algumas previsões do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), é possível que a temperatura aumente entre e 1,5º C e 7º C neste bioma até o fim deste século – modificando profundamente o regime das águas, afetando o regime de secas e cheias e ameaçando a fauna, a flora e as populações desses locais. A Amazônia possui hoje 09 Sítios Ramsar – ou seja, áreas úmidas que merecem atenção e proteção. No pouco conhecido Pantanal Mineiro vivem cerca de 70% dos peixes da bacia do médio São Francisco, um verdadeiro berçário de espécies do Velho Chico.O Relatório Planeta Vivo, lançado pela Rede WWF em 2018, mostrou que as áreas úmidas foram a “categoria de solo” mais degradada na era moderna da humanidade – cerca de 87% dessses territórios foram prejudicados nos últimos trezentos anos. O que podemos fazer para proteger estas áreas?• Restaurar as áreas úmidas degradadas;• Conservá-las;• Usar estas áreas com sabedoria;• Não drená-las;• Não construir sobre elas;• Não degradar; • Contar ao mundo sobre sua importância. Quer saber mais? Visite nossa página sobre as Áreas Úmidas e visite o site da Convenção Ramsar, um ambiente que fala sobre as áreas úmidas do mundo e é atualizado constantemente.