Por Jorge Eduardo DantasOs macacos guariba (Alouatta seniculus) e cairara (Cebus albifrons) são os personagens do mais novo vídeo da websérie “Moradores da Floresta”, promovida pelo WWF-Brasil desde o ano passado. Num filme de quase quatro minutos, várias curiosidades sobre esses animais são divulgadas, acompanhadas de imagens inéditas e exclusivas deles em seu habitat natural, nas florestas do estado do Acre. Os primatas – popularmente chamados de macacos, de maneira geral – são importantíssimos para a renovação das florestas tropicais. Ao se alimentarem, eles contribuem com o processo de dispersão das sementes e, por meio de suas fezes, ajudam no processo de adubação daqueles terrenos. Por isso, eles são fundamentais para a manutenção da saúde e biodiversidade das florestas. No Brasil, existem hoje cerca de 130 espécies diferentes de macacos espalhados por todo o território nacional.Ruído que assusta O macaco guariba ou bugio-vermelho (Alouatta seniculus) pesa entre 4 e 9 quilos e tem comprimento de 57 a 72 centímetros – os machos geralmente são maiores. Além de ser visto no Brasil, ele já foi registrado na Venezuela, Colômbia, Peru, Brasil, Equador e Bolívia. Vive nas árvores, explorando o solo de vez em quando – e se alimenta principalmente de brotos e folhas jovens. O guariba se locomove de maneira muito lenta e uma de suas principais características é a vocalização, que lembra um rugido ou latido e ecoa floresta afora podendo ser ouvida a até 5 quilômetros de distância. É um ruído muito famoso no interior da Amazônia, que assusta quem porventura estiver dentro da floresta e tiver a oportunidade de ouvi-lo. Inteligentes e curiososO macaco-cairara (Cebus albifrons), por sua vez, pesa entre 1,5 e 2,4 quilos e tem comprimento de até 30 centímetros – mas a cauda, sozinha, chega a 40 centímetros. Ele já foi registrado em diversos territórios e é encontrado também na Colômbia, no Peru e na Venezuela.É uma espécie social – vive em grupos de 15 a 30 indivíduos e fica principalmente nas árvores. Sua dieta inclui frutos, castanhas, néctar, pequenos invertebrados, lagartos, e ovos de aves. São considerados animais muito inteligentes e curiosos, e possuem um vasto vocabulário de sons e zunidos que usam para se comunicar com o resto de seu grupo.Os predadores naturais, tanto do bugio-vermelho quanto do cairara, são as onças, jaguatiricas, jiboias e aves de rapina. A principal ameaça à sobrevivência desses macacos, no entanto, é a caça, seguida pela perda e degradação de seus habitats.Moradores da FlorestaA série Moradores da Floresta tem lançado desde o ano passado, nos canais oficiais do WWF-Brasil, vídeos trazendo imagens inéditas e exclusivas da biodiversidade encontrada no interior da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes, no Acre. Alguns dos filmes já lançados mostraram a pacarana (Dinomys branickii), a anta (Tapirus terrestris), alguns canídeos e tamanduás da Amazônia.Os “flagras” são feitos por meio de armadilhas fotográficas – câmeras normais, equipadas com melhorias tecnológicas e apropriadas para o ambiente selvagem. Elas ficam escondidas e amarradas em árvores, funcionando com sensores de luz. Toda vez que um animal passa pela frente do equipamento, a câmera dispara automaticamente e tira uma foto ou inicia uma gravação audiovisual.Efeitos da exploraçãoO trabalho com armadilhas fotográficas é uma parceria entre WWF-Brasil e outras instituições, como a Cooperativa dos Produtores Florestais Comunitários (Cooperfloresta) e Associação de Moradores e Produtores da Reserva Extrativista Chico Mendes em Xapuri (Amoprex). “Além da série Moradores da Floresta proporcionar imagens e informações biológicas de espécies da fauna silvestre amazônica, ela também demonstra a alta diversidade de animais existente em áreas sob regime de manejo florestal comunitário na Reserva Extrativista Chico Mendes”, comentou Moacyr Araújo, analista de conservação do WWF-Brasil.”As imagens gravadas pelas câmeras, permitem, entre outras coisas, que nós conheçamos os efeitos que o manejo florestal de impacto reduzido tem na dinâmica e composição da fauna silvestre. Isso nos traz mais conhecimentos e nos permite fazer ajustes técnicos nessas atividades de produção e manejo para favorecer a maior diversidade da fauna silvestre nessas áreas”, completou Moacyr.