por Douglas SantosA Marcha pelos Oceanos 2019 percorreu, ao longo de 5 dias, mais de 2,4 Km na Reserva Extrativista do Delta do Parnaíba, que faz divisas com os estados do Maranhão e Piauí. Com um formato lúdico e transformador, a ação passou pelas cinco comunidades que fazem parte da ilha e mobilizou mais de 500 pessoas. A atividade transformou uma rede de pesca ilegal, que havia sido apreendida no fim do ano passado, em símbolo de união, conscientização e educação ambiental entre os moradores, re-significando o sentido de rede no território da Unidade de Conservação. Como uma tocha olímpica, a rede rodou as cinco comunidades da ilha de barco, quadriciclo e também carregada nos braços dos moradores locais. Durante o percurso, cada comunidade recebeu a rede com festas, apresentações teatrais e cartazes com informações ilustradas sobre como proteger os mares de oceanos. A marcha teve início no dia 02 de junho na comunidade Morro do Meio, seguindo para o Torto, Caiçara, Passarinho e terminou a expedição no dia 8 de junho, no Dia Mundial dos Oceanos, na comunidade Canárias, do outro lado da ilha, em uma grande festa que reuniu todas as peças produzidas por todas as cinco comunidades. E está foi a segunda edição da Marcha pelos Oceanos no Brasil, ambas organizadas pelo WWF – Brasil. Com uma proposta diferente de 2018, o WWF – Brasil resolveu levar a marcha dos oceanos para o interior, em uma Unidade de Conservação. O conceito da Marcha dos Oceanos no Delta do Parnaíba foi criado pelos jovens e professores das comunidades. Todos são participantes de um projeto viabilizado pelo Programa Marinho do WWF- Brasil, o Projeto Asas para o Delta, que tem em seus eixos de atuação ações voltadas para a educomunicação de jovens, a gestão da pesca local com foco na pesca de camarão de jequi e o desenvolvimento do turismo de base comunitária. O Programa Marinho do WWF- Brasil O Programa Marinho do WWF-Brasil foi oficialmente lançado em junho de 2015. Sua estratégia, construída com a contribuição de diversos escritórios e membros do conselho do WWF, foi finalizada e aprovada em dezembro do mesmo ano. Inicialmente, 4 estratégias foram desenvolvidas para alinhar conservação do ambiente marinho-costeiro do Brasil com o uso sustentável dos recursos naturais, engajando amplamente a sociedade com o tema, a saber: (a) melhoria na efetividade da conservação da biodiversidade e áreas protegidas; (b) engajamento da população sobre o consumo responsável do mercado dos alimentos do mar; (c) apoio a gestão das pescarias de pequena escala e empoderamento das comunidades locais; (d) desenvolvimento da qualidade e integração dos destinos do turismo em áreas costeiras. Estima-se que o Programa Marinho tenha impactado, direta e indiretamente, cerca de 21 milhões de pessoas, além de ter contribuído para a criação e fortalecimento de diversas unidades de conservação, abrangendo cerca de 766.679 hectares. Adicionalmente, engajou mais de 3.500 voluntários em seus mutirões de plástico, tendo recolhido 2 toneladas de resíduos das praias ao largo da costa Brasileira. O Programa Marinho do WWF-Brasil também apoiou a realização de diversos estudos, alguns inovadores no Brasil, que tiveram como objetivos a utilização sustentável e responsável dos recursos naturais da zona costeira e marinha, a melhoria na qualidade de vida das comunidades impactadas, e o incremento ou criação de fontes alternativas de renda. A Reserva Extrativista e Área de Proteção Ambiental do Delta do Parnaíba Com uma área de quase 30 mil hectares, a Reserva Extrativista (RESEX) foi criada em 2000 e tem como principal área a ilha das Canárias, segunda maior do Delta, com cinco povoados (Canárias, Passarinho, Caiçara, Torto e Morro do Meio) e aproximadamente 3 mil habitantes, que vivem basicamente da pesca, da cata do caranguejo, extrativismo vegetal e da agricultura em pequena escala. A Área de Proteção Ambiental (APA) Delta do Parnaíba foi criada em agosto de 1996, possui uma área de extensão de 307.590,51 hectares e abrange três estados do Nordeste, Piauí, Maranhão e Ceará, percorrendo todo litoral Piauiense. Ambos os territórios são formados por pequenas comunidades que se baseiam, principalmente, na pesca artesanal, no extrativismo e no turismo local. Vale ressaltar que os territórios se misturam, pois, a RESEX é rodeada pelos limites da APA, gerando uma integração territorial das atividades exercidas no território do Delta. Um exemplo disso são as comunidades pesqueiras e suas áreas de pesca, que se espalham tanto pela RESEX quanto pela APA. A gestão da RESEX e das lideranças locais enfrentam desafios como: a pesca ilegal, a contaminação do lençol freático, a ocupação desordenada do uso do solo, desflorestamento de mangues e restingas, a poluição das praias por lixo marinho e doméstico, a predação de ninhos de tartarugas marinhas; e, o tráfico de animais silvestres.