Inpe, ligado ao governo, é responsável por três tipos de levantamento. Instituições sem fins lucrativos também examinam imagens de satélites. Foto aérea mostra uma parcela desmatada da Amazônia perto de Porto Velho na última quinta-feira (22)
Ueslei Marcelino/Reuters
O uso de satélites na órbita terrestre possibilita monitorar o desmatamento à distância. No Brasil, o órgão responsável por medir e analisar esses dados na Amazônia é o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Ele utiliza três tipos de dados para acompanhar o estado da floresta: o Prodes, o Deter e o Terraclass.
Além disso, há instituições sem fins lucrativos que, também por meio de satélites, produzem outros levantamentos sobre a destruição do bioma, com metodologias diferentes.
Especialistas ouvidos pelo G1 alertam que as queimadas na região amazônica estão relacionadas ao desmatamento. As áreas desmatadas são mais vulneráveis a incêndios e, além disso, o fogo é parte da estratégia de “limpeza” do solo que foi desmatado para posteriormente ser usado na pecuária ou no plantio.
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Municípios com mais queimadas tiveram maiores taxas de desmatamento
Além disso, dados do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) mostram a ligação entre os dois fenômenos: os dez municípios que tiveram mais focos de incêndios florestais em 2019 são os mesmos que registraram as maiores taxas de desmatamento.
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Abaixo, entenda a diferença entre os sistemas que monitoram desmatamento:
Sistemas de monitoramento da Amazônia têm objetivos e metodologias diferentes
Juliane Souza/G1
— Sistemas do governo:
Programa de Cálculo do Desflorestamento da Amazônia (Prodes)
Metodologia do Prodes
Juliane Souza/G1
Objetivo: Contabilizar anualmente o que foi perdido de mata nativa, para que o governo, a partir desses dados, elabore políticas públicas.
Período: Faz o monitoramento anual do desmatamento na Floresta Amazônica, desde 1988.
Tipo de satélite usado: O principal responsável por gerar as imagens é um satélite americano da série Landsat. Além dele, são utilizados também satélites da Inglaterra, Índia e Japão. Essa combinação de aparelhos visa a diminuir o problema da cobertura de nuvens, que poderia levar a conclusões equivocadas sobre o desmatamento.
Análise das imagens: Segundo o Inpe, o nível de precisão do Prodes é de aproximadamente 95%. Entre 1988 e 2002, a interpretação das imagens era feita visualmente, por especialistas que analisavam os dados impressos em papel fotográfico. Naquela época, as conclusões não eram divulgadas nem mesmo a outros órgãos do governo. Só a partir de 2003, o cálculo da taxa de desmatamento passou a ser digital, assistido por um computador. Desse ano em diante, os levantamentos foram divulgados à sociedade.
Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter)
Metodologia do Deter
Juliane Souza/G1
Objetivo: Mostrar alertas preliminares de áreas com sinais de devastação.
Período de análise: É um levantamento rápido, quase em tempo real, para dar suporte à fiscalização e ao controle do desmatamento realizados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Tipo de satélite usado: Entre 2004 e 2017, o sistema usou o sensor Modis, a bordo do satélite Terra. Só era possível detectar alterações na vegetação com área maior de 25 hectares. Durante esse período, mais de 70 mil alertas foram emitidos. Atualmente, o sistema é mais preciso, capaz de examinar, quase em tempo real, superfícies próximas a um hectare. O avanço foi propiciado pelos sensores WFI, do satélite Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS-4), e AWiFS, do satélite Indian Remote Sensing Satellite (IRS).
Análise de imagens: Os dados ficam disponíveis no portal TerraBrasilis, em polígonos com dimensão mínima de 6,25 hectares, para possibilitarem comparações. Podem ser analisados por padrões de cor, tonalidade, textura, forma e contexto.
Terraclass
Metodologia do Terraclass
Juliane Souza/G1
Objetivo: Medir as mudanças no uso do solo e aferir se o terreno da floresta desmatada está sendo usado para pecuária, agricultura, mineração ou pasto, por exemplo.
Período de análise: Esses mapeamentos detectaram o estado do solo em 2004, 2008, 2010, 2012 e 2014 – possibilitando uma análise da década.
Tipo de satélite: o levantamento mais recente, de 2014, usa dados do Landsat 8.
Junção de dois sistemas: É fruto de uma parceria entre o Inpe e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Seus dados qualificam o que é detectado pelo Prodes e pelo Deter.
— Institutos não associados ao governo
Além dos três dados medidos pelo Inpe citados acima, existe o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), que não é ligado ao governo, e o Mapbiomas, projeto que é uma parceria entre universidades, Google e outras instituições.
Imazon
Metodologia do Imazon
Juliane Souza/G1
Objetivo: Monitorar o desmatamento na Amazônia, por meio do sistema SAD.
Período: O SAD seleciona uma imagem no início do mês e outra no fim dos 30 dias. É uma metodologia diferente da aplicada pelo Deter, que acompanha o desmatamento ao longo desse período.
Tipo de satélite: Segundo o Imazon, os satélites usados são mais refinados que os dos sistemas do governo e são capazes de detectar áreas devastadas a partir de 1 hectare. No início do projeto, apenas regiões com mais de 10 hectares conseguiam ser examinadas.
Mapbiomas
Metodologia do Mapbiomas
Juliane Souza/G1
Objetivo: Montar um mapa anual de cobertura e uso do solo, com classificação pixel a pixel de imagens dos satélites. O projeto é uma parceria entre universidades, instituições e o Google.
Satélite usado: O satélite usado é o Landsat, o mesmo do Prodes. Os dados são processados por algoritmos, por meio de uma plataforma do Google. Ele reúne informações de diferentes órgãos, como do Inpe, e os cruza com informações do IBGE, por exemplo.
Período: Anualmente, é montado um mosaico que cobre o país. Cada “peça” tem camadas colhidas nos últimos 33 anos. A partir disso, é possível analisar as mudanças no solo para cada bioma, estado e município.
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