Em sessão especial no Plenário Ulysses Guimarães, participantes discutiram aumento no desmatamento e nas queimadas, invasões a terras indígenas e ameaças à legislação ambiental.Por Bruno TaitsonNesta quarta (4/9), véspera do Dia da Amazônia, ambientalistas, lideranças indígenas, representantes de movimentos sociais, pesquisadores e parlamentares alertaram a sociedade brasileira para as crescentes ameaças à maior floresta tropical do planeta e seus habitantes. As discussões aconteceram durante reunião da Comissão Geral, uma sessão especial em que, além de parlamentares, falam também representantes da sociedade ligados ao tema em discussão.O número de queimadas na Amazônia, bem como as cifras do desmatamento na região, têm aumentado drasticamente, colocando em risco ecossistemas, recursos naturais e milhões de habitantes, especialmente povos indígenas, ribeirinhos e extrativistas. Cerca de 20% do total do desmatamento na região de deu no interior de terras indígenas e unidades de conservação, áreas que o Estado tem obrigação legal de defender.Durante a sessão, representantes da Associação Nacional dos Servidores Ambientais (Ascema) entregaram carta ao presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), na qual reivindicam a “adoção de medidas para estancar a crise socioambiental” de maneira imediata. O documento também expressa críticas à conduta do Governo Federal diante da agenda ambiental, relatando um desmonte do Ministério do Meio Ambiente pela atual gestão.Michel Santos, gerente de políticas públicas do WWF-Brasil, lembrou que, apesar do aumento das infrações à legislação ambiental, as punições administrativas diminuíram quase 30% este ano. “A postura do Governo Federal, infelizmente, tem relação direta com esta crise. Quando representantes do Estado fazem críticas à legislação ambiental, às organizações ambientais, aos movimentos sociais e aos povos indígenas, acabam alimentando um sentimento forte de impunidade e incentivando as práticas ilegais”, criticou.O deputado Alessandro Molon (PSB-RJ) lembrou que a adoção de medidas concretas para proteger a Amazônia e seus povos não é apenas uma questão de promover equilíbrio climático e de reduzir emissões de gases de efeito estufa. “São estimadas perdas de US$ 7,4 bilhões na agricultura mundial até 2030 por conta das mudanças climáticas. Também por isso é fundamental proteger a floresta e investir em ciência, em lugar de cortar bolsas de pesquisa”, analisou.A fala de Cléber Buzatto, secretário-executivo do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), foi marcada pela preocupação diante da grave situação dos povos originários. Além das crescentes invasões de terras indígenas, ameaças e assassinatos de lideranças, Buzatto denunciou a paralisação nas demarcações e a fragilização da Fundação Nacional do Índio (Funai). “O novo presidente da Funai foi uma indicação da bancada ruralista. Há uma clara ameaça de se legalizar a mineração no interior de terras indígenas. Esta casa precisa se colocar contra a devastação da Amazônia”, cobrou o secretário-executivo do Cimi.