Segundo relatório da Comissão Global de Adaptação, benefícios líquidos podem ser da ordem de US$ 7 trilhões (R$ 29 trilhões). Investimentos – como compra de uma bomba d’água para irrigação – podem fornecer uma renda agrícola sustentável para agricultores como Sanfo Karim, em Burkina Faso
Ollivier Girard/CIFOR
Investir o equivalente a US$ 1,8 trilhão (R$ 7,4 trilhões) na próxima década – em medidas para se adaptar às mudanças climáticas – pode produzir benefícios líquidos quatro vezes maiores, de mais de US$ 7,1 trilhões (R$ 29 trilhões).
A conclusão consta em uma análise de custo-benefício global que estabelece cinco estratégias de adaptação.
Amelia Gonzalez: Investimento de US$ 1,8 trilhão em adaptação às mudanças climáticas pode salvar milhares de vidas
O estudo foi realizado pela Comissão Global de Adaptação – um grupo de 34 líderes em política, negócios e ciência. Eles dizem que o mundo precisa urgentemente se tornar mais “resiliente às mudanças climáticas”.
A comissão, liderada pelo ex-secretário geral da ONU Ban Ki-moon, a executiva-chefe do Banco Mundial, Kristalina Georgieva, e o cofundador da Microsoft Bill Gates, argumenta que os países ricos têm uma obrigação moral urgente de investir em medidas de adaptação que beneficiarão o mundo.
Segundo o relatório, os mais afetados pelas mudanças climáticas “foram os que menos causaram o problema – tornando a adaptação um imperativo humano”.
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Jelajah Pangandaran
O principal objetivo do estudo é colocar a adaptação às mudanças climáticas na agenda política em todo o mundo. E, para isso, estabelece “soluções concretas” e um plano econômico.
Há cinco coisas nas quais o mundo deve investir na próxima década:
Cada um desses investimentos, segundo a comissão, contribuiria para o que eles chamam de “dividendo triplo” – ou seja, evitando perdas futuras, gerando ganhos econômicos positivos por meio da inovação e oferecendo benefícios sociais e ambientais. É esse dividendo que o relatório avalia em US$ 7,1 trilhões.
Sobre as conclusões do estudo, Ban disse que a mudança climática “não respeita fronteiras”.
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Georgina Smith/Ciat
“É um problema internacional que só pode ser resolvido com cooperação e colaboração, além-fronteiras e em todo o mundo. Está se tornando cada vez mais claro que em muitas partes do mundo nosso clima já mudou e precisamos nos adaptar a ele.”
O relatório insta “revoluções” no entendimento, planejamento e finanças – para “garantir que os impactos, riscos e soluções climáticos sejam levados em consideração na tomada de decisões em todos os níveis”. Transformar suas recomendações em ação será o próximo esforço; haverá um anúncio adicional sobre os planos de adaptação na Cúpula do Clima da ONU, em setembro.