Airbus também ofereceu tecnologia, diz empresa privada de Brasília que encontrou mancha no mar, a 700 km da costa brasileira. ‘Fomos montando um dia a dia do passado’, explica responsável pelo trabalho. Equipes trabalham na limpeza da Praia dos Carneiros, no Litoral Sul de Pernambuco, nesta sexta-feira (18)
Wellington Pereira/TV Globo
Satélites da Nasa, a Agência Espacial Americana, da ESA, a Agência Espacial Europeia e equipamentos da Airbus ajudaram uma empresa de tecnologia geoespacial de Brasília a chegar até a origem da mancha de óleo que atingiu as praias do Nordeste do Brasil. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (1º).
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Segundo Leonardo Barros, diretor-executivo da Hex, a equipe começou o trabalho tentando reconstruir a história. “Como não sabíamos onde estava, o nosso esforço foi em reconstituir esse tempo até achar a origem. Fomos daqui pro passado”, explicou.
A dificuldade, segundo a equipe, era a falta de imagens. Foi quando o grupo decidiu usar informações de diferentes satélites.
“Na medida que estavam disponíveis essas imagens, fomos montando um dia a dia do passado. Aí nos deparamos com a origem da mancha no mar, a cerca de 700 km da costa brasileira.”
A partir do momento em que encontraram a mancha, os técnicos passaram a buscar o navio responsável pelo derramamento de óleo.
Manchas de óleo chegam à praia da Pituba, em Salvador
Alan Oliveira/G1 BA
“Importante destacar que a partir da localização desse ponto zero da mancha, começamos a trabalhar com dados sobre as embarcações, dados de AIS [ Sistema de Identificação Automática por satélite que identifica as embarcações]. Tivemos como fonte a AirBus Defense Space que topou investir nesse trabalho de investigação, não pagamos nada, ela que se disponibilizou”, apontou Barros.
Segundo ele, o grupo começou, então, a fazer o cruzamento de eventuais embarcações que teriam passado pelo local de origem da mancha perto daquele período, entre 29 de julho e 1º de agosto. “Nesse momento conseguimos achar uma determinada embarcação que fechou com o período”.
“Em seis dias, a equipe chegou ao resultado.”
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Zero por cento de chance de estar errado
Leonardo Barros, diretor-executivo da Hex, empresa de Brasília que localizou origem do óleo que provocou desastre ambiental na costa brasileira
Nicole Angel/ G1
O relatório da Hex foi entregue para a Polícia Federal no dia 25 de outubro, afirmou o diretor-executivo da empresa. Ele aponta que confia plenamente nos dados levantados pela equipe que identificou a origem da mancha e o navio responsável pelo desastre ambiental.
“Levando em consideração uma série de variáveis físicas, como maré e direção dos ventos, isso ratifica nossos dados. Na nossa avaliação, zero por cento de chance de estar errado.”
Leonardo Barros disse ainda que, em um primeiro momento, o grupo começou a investigar o caso porque ficou interessado no assunto. Mas na segunda quinzena de outubro a Agencia Brasileira de Inteligência (Abin) contatou a empresa e perguntou se ela teria “algum know how para ajudar o governo”.
“Respondemos que sim e que já estávamos em um esforço interno pra esse trabalho. Aí nos orientaram a divulgar todo o esforço e o resultado para a Polícia Federal. Aí entregamos toda uma análise detalhada e, a partir daí, eles começaram a operação.”
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Perguntado se o governo seria capaz de fazer isso sozinho, o executivo respondeu que não poderia afirmar “porque não conheço os esforços deles”. Sobre quanto custaria a operação – que foi feita voluntariamente – ele disse que preferia não comentar.
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*Sob supervisão de Maria Helena Martinho
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