A Marinha está em alto mar também para saber se há chances de mais resíduos chegarem à costa nordestina. Navio de guerra busca óleo em alto-mar para evitar mais danos no litoral de Pernambuco
Um navio de guerra reforça as buscas por óleo na costa de Pernambuco. A preocupação da Marinha é detectar o problema ainda em alto-mar para evitar que novas manchas cheguem ao litoral. No estado, entre 17 de outubro e 1º de novembro, 1.568 toneladas da substância foram recolhidas em 47 praias, além de oito rios e estuários, segundo o governo. (veja vídeo acima).
Manchas de óleo no Nordeste: o que se sabe sobre o problema
Lista de praias atingidas pelas manchas de óleo no Nordeste
Petróleo tem substâncias que trazem riscos à saúde
Neste sábado, a Marinha informou que um navio grego é o principal entre os 30 suspeitos do desastre ambiental. Mesmo com a possibilidade ter descoberto a origem do derramamento do óleo cru, a corporação disse que os trabalhos continuam. Por meio de nota, a Marinha disse, ainda, que as praias de Pernambuco estavam limpas.
A petroleira grega Delta Tankers, proprietária do navio-tanque Bouboulina – apontado pela Polícia Federal (PF) como principal suspeito de ter derramado o óleo que desde o fim de agosto vem atingindo o litoral do Nordeste –, disse que “não há provas” de que a embarcação seja responsável pelo incidente.
Em Pernambuco, a tripulação do navio-patrulha Macau, que já está acostumada a fiscalizar outras embarcações na costa nordestina, recebeu a missão rastrear as manchas de óleo em alto-mar.
Até agora, foram poucos os casos em que militares dos dez navios da marinha conseguiram recolher petróleo em alto mar
Reprodução/TV Globo
A Marinha brasileira nunca tinha lidado com um vazamento desse tipo de petróleo. Mesmo os militares mais experientes têm dificuldades de visualizar esse óleo na água antes que ele chegue às praias, ainda que a identificação de vazamentos já seja um trabalho de rotina da corporação.
O petróleo cru que chegou à costa nordestina não aparece nos radares e nem nos outros equipamentos de navegação. Os militares precisam encontrar as manchas com os próprios olhos. Até o movimento das ondas atrapalha e nem sempre a mancha está na superfície.
Na imensidão do mar, até o movimento das ondas atrapalha e nem sempre a mancha está na superfície
Reprodução/TV Globo
Segundo o Capitão de corveta Gabriel Paredes Fortes, comandante do navio-patrulha, os dois principais problemas enfrentados por eles são a detecção e a contenção dessas concentrações de óleo.
“O método empregado normalmente é com barreiras de contenção que conseguem reter o óleo que está na superfície, mas o óleo que está submerso passa por baixo destas barreiras, causando todo esse transtorno que nós estamos observando em quase 2.500 quilômetros de litoral”, destaca.
A maneira de recolher o óleo teve que ser aperfeiçoada. Os militares receberam roupas especiais de proteção. Quando avistam algo suspeito, eles vão para a água. Mas, até agora, foram poucos os casos em que militares dos dez navios da marinha conseguiram recolher petróleo em alto mar.
Militares receberam roupas especiais de proteção. Quando avistam algo suspeito, eles vão para a água
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Tecnologia como aliada
Outra iniciativa para tentar encontrar esse óleo que está no mar vem sendo desenvolvida por pesquisadores de Pernambuco, com apoio da Polícia Federal e ajuda de uma tecnologia.
A câmera sassanga, criada pelo pesquisador Mauro Maida, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), grava imagens do fundo do mar em alta definição e por quatro ângulos, em até 80 metros de profundidade.
Câmera grava imagens do fundo do mar em alta definição e por quatro ângulos, em até 80 metros de profundidade
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Nos últimos três dias, os pesquisadores da UFPE e do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Nordeste (Cepene), navegaram a uma distância de 33 quilômetros da costa, no Litoral Sul de Pernambuco, onde havia suspeita de que o óleo pudesse ter se depositado no fundo.
As imagens feitas em Tamandaré, no Lioral Sul, mostraram que o petróleo não se acumulou. Pelo menos neste trecho do litoral de Pernambuco, os corais e outros animais marinhos ficaram livres das manchas.
“Esses recifes profundos são os principais pontos de pesca comercial do estado. É uma preocupação em termos socioambientais e também de impacto ao pescador”, conta Mauro Maida.
Imagens feitas em Tamandaré mostraram que, por lá, o petróleo não se acumulou no fundo do mar
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Manchas
Um terço das mais de 280 localidades atingidas pelo óleo no Nordeste chegaram a ser limpas, mas viram a poluição retornar ao menos uma vez.
Ao todo, 83 praias e outras localidades tiveram a reincidência da contaminação, o que representa 29,5% dos locais afetados pelo petróleo cru que começou a surgir no fim de agosto.
Os dados sobre a volta da poluição são parte de um levantamento do G1 com base em todos os 23 relatórios divulgados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) sobre a situação das praias desde o começo do desastre ambiental.
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