A substância foi encontrada pela primeira vez no estado no dia 24 de setembro. 25 de setembro – Manchas de óleo são vistas em pedras no litoral do estado de Sergipe
Governo de Sergipe via AP/Arquivo
Nesta segunda-feira (4), a Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema) informou que subiu para 1.200 toneladas a quantidade de resíduos de óleo recolhidos no litoral sergipano. No dia 28 de outubro eram 895,4 toneladas.
A substância foi encontrada pela primeira vez, em Sergipe, no dia 24 de setembro. Nos nove estados nordestinos são mais de 300 locais no Nordeste atingidos pelo óleo desde o mês de agosto.
Em Sergipe, o trabalho de limpeza das praias ganhou o reforço do Exército Brasileiro e do 28º Batalhão de Caçadores (28º BC), em Aracaju.
Soldados estão com equipamentos que evitam o contato com a substância
Jorge Luiz/TV Sergipe
O grupo trabalha com equipamentos básicos para recolhimento de produto tóxico, luvas reforçadas de silicone, máscaras e sacos de lixo, também reforçados, para evitar vazamentos do óleo.
Novas Manchas
28 de outubro: Óleo na Praia Formosa, em Aracaju
Kedma Ferr/TV Sergipe
No final de outubro, as manchas continuarem sendo encontradas na Praia Formosa, em Aracaju. Cinquenta agentes do Exército realizam a limpeza.
No dia 26, a substância voltou às praias da Cinelândia e Atalaia, também na capital. Diante do desastre ambiental, o projeto Praia Limpa, que existe em Sergipe há mais de um ano, mobilizou muitos voluntários pelas redes sociais e atraiu dezenas de pessoas. Como o petróleo cru é tóxico e o odor é forte, todos tiveram de usar equipamentos de proteção individual com luvas de silicone e máscaras.
Movimento Praia Limpa, em Aracaju
Cléverton Macedo/TV Sergipe/Arquivo
Uma equipe da Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Aracaju também se somou e trouxe alguns equipamentos de proteção para distribuir com os voluntários.
Carta à sociedade
No dia 25 de outubro, em Aracaju, uma carta à sociedade brasileira relatando o impacto do derramamento de óleo no litoral nordestino. O documento foi elaborado por representantes de mais de 80 comunidades, que dependem diretamente ou não com a pesca.
O assunto foi tema de uma audiência pública organizada pela Ordem dos Advogados do Brasil em Sergipe (OAB/SE), através da Comissão de Direitos Humanos, em parceria com o Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH).
Manchas voltaram a se encontradas na praia de Pirambu
Adema/SE/Arquivo
impacto da tragédia ambiental em Sergipe atingiu também quem depende das vendas da mangaba, fruta tradicional do estado, que usualmente é comercializada à beira das estradas que cortam o litoral sergipano. “Houve uma queda muito grande na venda da mangaba, inclusive dos derivados da fruta”, disse Alicia Morais, coordenadora das mangueiras de Sergipe, que representa cerca de 3 mil famílias.
Ampliação do pagamento do Defeso
O presidente da República em exercício, Davi Alcolumbre, assinou um decreto da tarde da quinta-feira (24), durante visita a Aracaju, que determina ampliação do pagamento do auxílio defeso, destinado aos pescadores das localidades afetadas pelas manchas de óleo no litoral sergipano. O anúncio foi realizado durante uma reunião com o governador de Sergipe, Belivaldo Chagas, e representantes dos órgãos que atuam no combate ao avanço do óleo.
Aplicação de recursos federais
Após liberação de recursos do governo federal no valor de R$ 2,5 milhões representantes da Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema), Defesa Civil Estadual e Defesa Civil Nacional se reuniram, na manhã da terça-feira (22), para discutir como empregar o dinheiro. O encontro foi realizado na Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade do Estado (Sedurbs), em Aracaju.
Com o recurso, entre as medidas a serem adotadas está a contratação de uma empresa para limpeza dos locais atingidos pelo óleo. Além da disponibilização de 500 kits com luvas, óculos, sacos plásticos, e outros equipamentos de proteção individual que devem chegar ao estado ainda esta semana.
Liberação de recursos
Ministério do Desenvolvimento Regional, por meio da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), autorizou, na segunda-feira (21), o repasse de R$ 2,5 milhões para o estado de Sergipe utilizar na limpeza das praias afetadas pelo derramamento de óleo.
O estado decretou situação de emergência no dia 5 de outubro, que foi reconhecida pelo governo federal 10 dias depois, para as cidades de Aracaju, Barra dos Coqueiros, Brejo Grande, Estância, Itaporanga D’Ajuda, Pacatuba e Pirambu. Já no dia 17, o Departamento Estadual de Proteção e Defesa Civil da Secretaria de Estado da Inclusão Social solicitou R$ 22 milhões para restabelecer a costa sergipana.
Segundo o Ministério, os recursos federais poderão ser utilizados pelo em serviços complementares para limpeza do litoral, viabilização de pontos estratégicos de coleta e transporte do material. A expectativa é que mais repasses sejam autorizados para outros estados, de acordo com o recebimento das solicitações.
Neste sábado (12) foram instalados 75 metros de boias absorventes por equipes da Adema no Rio Vaza-Barris, em Aracaju
Adema/Divulgação
Reforço da contenção
Entre as medidas definidas nos relatórios pelos órgãos ambientais na quinta-feira, está a instalação de mil metros de boias em locais que ainda estão sendo analisados como prioridade. O material que deverá ser instalado em pontos estratégicos de Sergipe foi disponibilizado pela Petrobras. Um outro ponto discutido durante a reunião foi o risco da colocação de boias para a navegação nos rios do estado.
Polêmica sobre as barreiras
No último dia 12, o governo sergipano iniciou, no rio Vaza-Barris, a instalação de barreiras alugadas pelo valor de quase R$ 7 mil por dia. A administração estadual esperava que a Petrobras pudesse enviar equipamento de proteção para conter a mancha, mas as barreiras de proteção não chegaram.
O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que veio a Aracaju no dia 7 de outubro para avaliar a situação, afirmou, no dia 14, que iria cumprir a determinação da Justiça Federal e colocar as barreiras de contenção em rios de Sergipe, mas alegou que elas não seriam eficientes para conter as manchas de óleo. O Ibama seguiu a afirmação. Já a Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema), disse que a escolha pelo material ocorreu com avaliação técnica e que a eficácia é comprovada.
Análise das manchas
No dia 16, Ricardo Salles, esteve no campus da Universidade Federal de Sergipe (UFS), no município de São Cristóvão (SE) onde se reuniu com o professor do Departamento de Química e coordenador do laboratório de Petróleo e Biomassa, Alberto Wisniewski Jr., responsável pela análise do óleo coletado nas praias do litoral sergipano.
“A opinião do que nós vimos aqui é a hipótese de que esse óleo dos barris tenha relação com o óleo encontrado nas diversas manchas encontradas no litoral. E que, portanto, dão mais um elemento para a investigação que está sendo muito bem feita pela Marinha do Brasil, sobre a origem desse fato que é o derramamento de óleo no litoral”, disse o ministro.
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