Fósseis mostram como era a vida dos dinossauros que viviam na região sul do Brasil a 250 milhões de anos atrás. Réplica em tamanho reduzido da cabeça do Gnathovorax cabreirai, dinossauro brasileiro do Triássico
Carl de Souza/AFP
Milhões de anos antes do aparecimento do temido Tyrannosaurus rex, o Gnathovorax cabreirai rugia livremente pelos pampas do sul do Brasil. Era o Triássico, um período da era mesozoica anterior ao Jurássico, entre 250 e 200 milhões de anos atrás.
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No planeta havia apenas um continente, a Pangeia, e os dinossauros, menores do que aqueles que viriam no Jurássico e no Cretáceo, conviviam com outros répteis, como os rincossauros e os cinodontes, ancestrais dos mamíferos.
O atual ‘pampa gaúcho’, que abraça o centro do Rio Grande do Sul, a fronteira com o Uruguai e a Argentina, era uma selva de árvores, musgos e plantas sem flores. Devido às inundações causadas por rios carregados de sedimentos, milhares de animais triássicos foram enterrados e fossilizados na região.
Fóssil do Gnathovorax cabreirai, dinossauro brasileiro do Triássico
Carl de Souza/AFP
E hoje, em sua esplêndida paisagem de verdes vales e vastas planícies, existem cem sítios paleontológicos, visíveis ao longo de sua terra avermelhada, que contêm as chaves para a compreensão desse período.
Em um deles, no município de São João do Polesine, um grupo de paleontólogos da Universidade Federal de Santa Maria (USFM) encontrou em 2014 o Gnathovorax cabreirai, um dos mais antigos esqueletos de dinossauro predador (230 milhões anos) e o melhor preservado do mundo.
O estudo de apresentação desta nova espécie foi publicado no início de novembro na revista científica “PeerJ”.
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Leão do Triássico
Exibido em uma vitrine no CAPPA, centro de pesquisa paleontológica da UFSM em São João do Polesine, o fóssil é composto de vários ossos e uma cabeça surpreendentemente bem preservada, com uma mandíbula poderosa (Gnathovorax significa mandíbulas vorazes).
“Esse animal tinha cerca de três metros de cumprimento, dentes grandes para comer carne, era bípede, caminhava com os patas posteriores e tinha as mãos livres, provavelmente para segurar presas, com garras bastante pontiagudas”, explicou à AFP o paleontologista Rodrigo Temp Muller.
Mandíbula do Gnathovorax cabreirai
Reprodução/PeerJ
O Gnathovorax cabreirai pertence à linhagem dos herrerassauros e é parente de outros dinossauros de idade semelhante descobertos no Brasil e na Argentina.
É muito mais antigo que o ‘Tyrannosaurus rex’ da América do Norte, o mais famoso e um dos últimos a existir antes da extinção desse grupo de vertebrados, cerca de 65 milhões de anos atrás. Parece com ele em dois aspectos: era o maior dinossauro de seu tempo e ocupava o topo da cadeia alimentar.
“No ecossistema do Triássico, o cabreiria ocuparia uma posição semelhante à dos leões”, enfatiza Muller. “Estar tão bem preservado, trouxe muita informação anatômica. Conseguimos reproduzir partes do cérebro através de tomografias”.
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