Por Ana DuarteEm um formato inédito, a Hora do Planeta foi realizada de forma digital este ano. Foram sete painéis, três webinars, um bate papo e uma live durante todo o dia com assuntos voltados ao nosso planeta e ao meio ambiente. O painel Cidades e Oceanos: Como Esta Relação Pode Ser Mais Saudável contou com a presença de Anna Carolina Lobo, gerente de conservação Mata Atlântica e Marinho do WWF-Brasil; Barbara Veiga, autora do livro “Sete Anos em Sete Mares” e co-fundadora da Liga das Mulheres pelos Oceanos e Enrico Marone, gerente de comunicação e marketing da Associação Rare Brasil.Bárbara Veiga iniciou sua fala contando um pouco sobre suas experiências com o mar. “Foram sete anos trabalhando com o mar mas também o escolhendo como estilo de vida”, declarou. Ela também falou do movimento que ajudou a fundar, a Liga das Mulheres pelos Oceanos, uma rede de mulheres que luta contra três temas principais: o aquecimento dos oceanos e as consequências das mudanças climáticas; a exploração dos recursos marinhos e também a poluição dos mares. O oceanólogo Enrico Marone frisou a importância de se pensar a relação dos seres humanos com o mar. “A vida no planeta surgiu no mar, ele é fundamental para a manutenção da vida no planeta. Isso é indiscutível”, disse ele. Ele também apontou que as pessoas não conseguem fazer a conexão entre o oceano e a importância dele para as nossas vidas. “Os oceanos são responsáveis por produzir mais de 70% do oxigênio da atmosfera”, afirmou. Enrico ainda deixou claro o papel indispensável dos mares na regulação climática e a produção de medicamentos e alimentos. A pesca sustentável também foi um assunto abordado durante a mesa. Ao ser perguntado do impacto social e econômico da pesca artesanal, Enrico falou sobre como o consumo de peixe está gradativamente aumentando ao longo dos anos, o que pode ser explicado pelo aumento da população global. Contextuando sua fala com a situação do Brasil, afirmou que a pesca artesanal é de extrema importância para o país, uma vez que “a cada 200 brasileiros um dele é pescador e 90% desse grupo é formado por pescadores de pequena escala”.O Brasil é um dos maiores consumidores de carne de tubarão e raias no mundo. “O cação, que na verdade é tubarão, tem uma função extremamente importante na vida marinha. É o equivalente a onça-pintada são os tubarões para o mar, são animais topo de cadeia que auxiliam na regulação de todo o ecossistema. Importante o consumidor buscar informações sobre a origem do pescado, para saber se o produto não está em período de defeso”, afirma Anna Carolina.Bárbara aproveitou o assunto para chamar a atenção para o consumo sustentável: “o nosso relacionamento com o mundo precisa ser repensado”, afirmou. “Você precisa saber a procedência do alimento que compra, como você age ao consumir, como você escolhe a empresa e se investiga de onde vem esses produtos”. A documentarista e ativista também falou da importância de cobrar do governo e órgãos reguladores para que essas metas sejam cumpridas. “Podemos fazer pressão na sociedade e no governo para saber se essas metas estão sendo cumpridas. Existem várias formas do cidadão se relacionar com o oceano de um jeito mais sustentável. É impossível não consumir, mas podemos repensar o que nós consumimos no dia-a-dia”, completou Bárbara.Anna Carolina também abordou a questão de como o descarte impróprio do plástico e o consumo das pessoas afetam as espécies marinhas e o oceano. “As pessoas podem buscar as alternativas que já existem no mercado. Existem substitutos para os canudos plásticos, sacolas e outros. Existem até lojas que são 100% plastic free. As mudanças começam nas pequenas atitudes diárias”, afirma Anna Carolina. Para Bárbara, “o plástico e o lixo atravessam o oceano, não importa mais onde você está. O descarte é uma questão muito séria para trabalharmos principalmente nesse tempo de quarentena”. Enrico falou da importância dos combustíveis fósseis e o papel do CO² na regulação climática e qual a conexão que os seres humanos têm com isso. O oceanógrafo declarou que ao utilizar meios de transporte como automóveis e aviões, essa emissão de CO² se concentra “na atmosfera e grande parte desse CO² é absorvido pelos oceanos, isso causa também um outro efeito muito preocupante que é a acidificação dos mares”. Os oceanos absorvem 93% do calor da atmosfera da terra. “Porém os oceanos não estão mais dando conta de absorver toda a carga de CO² que é lançada na atmosfera”, completa Anna Carolina.Essa acidificação também possui grande impacto na vida marinha. “Ás vezes pensamos que nossa atitude individual não vai ter tanta relevância para o planeta”, disse. “Todos nós temos que fazer nossa parte, mesmo pensando que serão pequenos atos. Isso vai ter uma consequência grande lá na frente”, completou ele. Sobre a Hora do PlanetaÉ o principal movimento ambiental global do WWF. Nascida em Sydney em 2007, a Hora do Planeta cresceu e se tornou um dos maiores movimentos de base do mundo para o meio ambiente, inspirando indivíduos, comunidades, empresas e organizações em mais de 180 países e territórios a tomar ações ambientais tangíveis por mais de uma década.Historicamente, a Hora do Planeta se concentrou na crise climática, mas, mais recentemente, a Hora do Planeta se esforçou para trazer à tona a questão premente da perda da natureza. O objetivo é criar um movimento imparável para a natureza, como aconteceu quando o mundo se uniu para enfrentar as mudanças climáticas. O movimento reconhece o papel das pessoas na criação de soluções para os desafios ambientais mais prementes do planeta e aproveita o poder coletivo de seus milhões de apoiadores para promover mudanças.