Por Taís MeirelesNesta sexta (30), em evento online com 136 pessoas, o Instituto Akatu e a GlobeScan apresentaram os principais resultados da pesquisa “Vida Saudável e Sustentável 2020: Um Estudo Global de Percepções do Consumidor”. No mundo, 27 mil pessoas responderam. No Brasil, mil pessoas foram entrevistadas em junho 2020, de forma remota por conta da pandemia do coronavírus. Os resultados são de grande utilidade para empresas que querem compreender as percepções dos consumidores e entender como podem contribuir na resolução de questões urgentes nos campos de saúde e sustentabilidade. Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu, comemora os resultados da pesquisa, que mostram que o consumidor brasileiro está cada dia mais consciente. “Muitas vezes nós, que trabalhamos no terceiro setor, temos uma frustração de não estarmos conseguindo evoluir, mas esse estudo é um claro sinal de que estamos evoluindo. As pessoas estão mostrando a necessidade de um propósito das empresas, que vá além do financeiro e contribua ativamente para o desenvolvimento da sociedade”, comenta. Durante o webinar desta sexta (30), Helio se referiu a um dos destaques da pesquisa, que aponta que apenas 15% dos respondentes acham que o progresso é medido apenas pelas estatísticas econômicas. “Registro aqui minha própria emoção de perceber que, depois de três décadas trabalhando em prol disso, está finalmente acontecendo”, comemorou. Álvaro Almeida, diretor da GlobeScan Brasil, comentou sobre o aumento no nível de confiança nas empresas: “Na minha visão, tem muito a ver com a resposta das empresas à pandemia. Hoje, 7 a cada 10 brasileiros acreditam que a economia deve ser reconstruída levando em consideração o meio ambiente. Entre os jovens, esse número sobe para 80%. E, mesmo nas classes sociais mais baixas, que são mais diretamente afetadas por crises econômicas, 60% também pensam assim”, explica. Confira abaixo outros resultados brasileiros do estudo, que teve o patrocínio da Ambev e do WWF-Brasil: Responsabilidade das empresas → Mais de 80% dos consumidores esperam que as empresas cuidem do que está sob seu controle, além de informar sobre os seus processos produtivos. Mais de 70% dos consumidores esperam que as empresas não agridam o meio ambiente. E mais de 60% esperam que as empresas estabeleçam metas para tornar o mundo melhor. Recompensa a empresas socialmente responsáveis→ 44% dos consumidores recompensaram alguma empresa no último ano; 35% pensou em fazer, mas não fez. Em 2019, esta mesma pergunta teve os resultados 41% e 34%, respectivamente. A pequena variação mostra que o resultado obtido neste item da pesquisa tem consistência. Papel de ajudar a viver melhor→ Criar produtos melhores e mais acessíveis é a maior demanda dos consumidores (45% dos respondentes), seguido de criar novos produtos, melhores para o ambiente e a sociedade (42%). Colaborar com outros atores na solução de problemas socioambientais é importante para 1/3 da população (35%), especialmente os mais jovens. Mudanças no estilo de vida→ A grande maioria dos brasileiros está interessada em diminuir o desperdício de alimentos (91% dos respondentes) e há grande percepção de facilidade em fazer isso (82%). Sobre reciclar itens, 81% têm interesse, enquanto 66% vê facilidade em fazê-lo. → Durante a pandemia, os consumidores buscaram bastante informações sobre estilos de vida saudáveis (68% dos respondentes) e sobre estilos de vida ecológicos (59%). E 54% foram encorajados a viver de maneira mais saudável por familiares ou amigos. Atitudes positivas ao meio ambiente e ao bem-estar→ 90% dos consumidores afirmam estar tentando melhorar a saúde e o bem-estar — na pesquisa de 2019, essa busca já existia para 85%. Saltou de 69 para 81% os que pensam que o que o que é bom para cada um nem sempre é bom para o meio ambiente. Mais de 80% creem que podem fazer muito para proteger o meio ambiente. E quase 70% acreditam estar fazendo tudo o que podem para essa proteção. Mudanças climáticas→ 63% dos consumidores afirmam concordar plenamente com a frase “nós, como sociedade, devemos responder às mudanças climáticas com a mesma urgência que respondemos à pandemia de COVID-19”, enquanto 29% afirmam concordar parcialmente. Prioridades pós-pandemia→ 2 entre 3 brasileiros (71% dos respondentes) priorizam reestruturar a economia para lidar com as desigualdades e as mudanças climáticas como mais importante que a recuperação rápida da economia. “Para nós, do WWF-Brasil, é muito importante e relevante esse estudo para a agenda socioambiental. Precisamos entender o comportamento do consumidor para cumprirmos nosso papel, fomentando soluções viáveis e factíveis para o desenvolvimento sustentável. Essa mudança é essencial e urgente”, comentou Virginia Antonioli, analista de conservação do WWF-Brasil. Carlos Pignatari, gerente de crescimento inclusivo da Ambev, complementa: “Desde a criação da Ambev, nós falamos sobre consumo consciente e responsável e acreditamos que, com os impactos positivos das nossas ações de sustentabilidade, como a gestão de água e as embalagens circulares, nosso papel é ser parte da solução. Temos consciência da nossa responsabilidade”. Acesse os dados completos da pesquisa no Brasil aqui.